(Artigo) O Brasil andou para trás na adoção de tecnologia agrícola. O estudo da McKinsey mostra o porquê

Resumo rápido: o relatório Global Farmer Insights 2026, da McKinsey & Company, ouviu 5.500 produtores em dez países entre abril e julho de 2026. A adoção global de tecnologia agrícola subiu 4 pontos percentuais e chegou a 50% dos produtores. O Brasil caiu 3 pontos — um dos poucos mercados do mundo que regrediu. O mesmo estudo aponta o caminho da solução: na América Latina, 88% dos produtores dizem que o agrônomo técnico é o principal influenciador da decisão de compra, o maior índice do planeta.

O que é o Global Farmer Insights 2026
É a quarta edição de uma pesquisa bienal da McKinsey & Company que ouve produtores rurais no mundo inteiro. A edição de 2026 foi publicada em 8 de setembro e reuniu respostas de 5.500 produtores em dez países, com a inclusão de China, Peru e Espanha nesta rodada.
É uma das poucas fontes de dados globais e comparáveis ao longo do tempo sobre como o produtor rural pensa e decide.

O que o estudo revela sobre o Brasil
O dado mais importante para nós está no capítulo de adoção de inovação.
Globalmente, a adoção de tecnologia agrícola cresceu 4 pontos percentuais desde 2024, chegando a 50% dos produtores usando ao menos uma forma de agtech.

Veja a variação por país entre 2024 e 2026:

| País | Variação na adoção de agtech |
|—|—|
| França | +14 pontos |
| Índia | +11 pontos |
| Argentina | +7 pontos |
| Alemanha | +5 pontos |
| Estados Unidos | +3 pontos |
| Canadá | estável |
| Brasil | −3 pontos |
| Média global | +4 pontos |

O Brasil foi na direção contrária do mundo.

Somos o maior player agrícola do hemisfério sul, temos escala, temos safrinha, temos tecnologia disponível no mercado. E ainda assim recuamos enquanto França, Índia e Argentina avançaram.

Por que a adoção caiu no Brasil?
O estudo não responde isso diretamente, mas oferece três pistas que, juntas, formam um diagnóstico bastante claro.

 1. O produtor brasileiro apertou o caixa
A intenção líquida de gasto no Brasil caiu 24 pontos percentuais desde 2024. Foi a quarta maior queda entre os países pesquisados, atrás de Argentina, Canadá e Índia. A média global caiu 24 pontos também.
O relatório explica o comportamento: diante da pressão de margem, o produtor preserva caixa, adia compras onde consegue e passa a exigir retorno claro e de curto prazo em qualquer investimento novo.

2. O risco número um na América Latina não é custo. É clima
Este é um ponto que quase ninguém percebe e que muda toda a conversa comercial.
Na Europa e na América do Norte, o principal risco à lucratividade apontado pelos produtores é o aumento do custo de insumos, citado por cerca de seis em cada dez.
Na América Latina, o principal risco é clima extremo, citado por 58% dos produtores. Custo de insumo aparece depois, com 42%.
Somos a única região do mundo com esse perfil. E isso tem uma implicação direta: o produtor latino-americano não compra tecnologia principalmente para economizar. Ele compra para proteger produtividade contra um risco que não controla.
Quem vende falando só de economia de insumo está respondendo a pergunta errada por aqui.

3. O modelo de venda tradicional perdeu força
Pela primeira vez na história da pesquisa, a influência do representante comercial caiu de forma significativa: de 67% para 56% globalmente, uma perda de 11 pontos.
As entrevistas explicam o motivo. Como a informação sobre produto está amplamente disponível online, os produtores estão menos inclinados a depender de representantes comerciais potencialmente enviesados na decisão final. Em vez disso, buscam especialistas agronômicos com conhecimento de contexto para validar e aconselhar suas escolhas.

O dado que muda tudo: o Brasil é o país que mais confia no agrônomo
Aqui está a chave de todo o problema — e da solução.
Quando perguntados sobre quem influencia suas decisões de compra, os produtores da América Latina apontam o agrônomo técnico em 88% dos casos. É, de longe, o maior índice do mundo.

| Região | Produtores que citam o agrônomo técnico como principal influenciador |

| América Latina | 88% |
| América do Norte | 63% |
| Europa | 38% |
| Ásia | 16% |

Junte as peças:
O Brasil recuou na adoção de tecnologia. O produtor brasileiro é o que mais depende de orientação técnica qualificada no mundo. E o modelo tradicional de venda por representante está perdendo força.
A conclusão é incômoda, mas necessária:

O Brasil não parou de adotar tecnologia por falta de tecnologia. Parou por falta de quem traduza tecnologia em decisão agronômica local.
O equipamento existe, funciona e está disponível. O que falta é a ponte entre o equipamento e a decisão do produtor.

O que o relatório recomenda às empresas do setor

A McKinsey é direta na seção de conclusões: agrônomos e consultores confiáveis ajudam o produtor a priorizar investimentos ao traduzir dados da fazenda em recomendações adaptadas às condições e objetivos de cada um.
E a recomendação para as empresas que vendem ao produtor é clara. A influência crescente do agrônomo, combinada à queda da influência do representante comercial, indica que as empresas devem deslocar investimento de campo para **maior profundidade técnica e conhecimento local**.
Em outras palavras: menos catálogo, mais diagnóstico.

A jornada de compra ficou digital na largada
Outro achado relevante, e que explica por que este artigo existe.
A preferência por canais digitais cresceu em todas as etapas da jornada de compra entre 2024 e 2026. Os maiores saltos foram justamente no começo, quando o produtor pesquisa e compara:
– 31% usam canais digitais para pesquisar produtos
– 36% usam para avaliar e comparar opções entre fornecedores, alta de 14 pontos desde 2024

Ou seja, o produtor chega à conversa já tendo pesquisado. Ele não quer mais que alguém apresente o produto. Ele quer que alguém valide a escolha dele com conhecimento de contexto.

E a inteligência artificial no campo?
A América Latina lidera o mundo em adoção de IA generativa entre produtores rurais.

| Região | Usam IA generativa | Pagam por ferramentas |

| América Latina | 26% | 7% |
| América do Norte | 23% | 10% |
| Europa | 13% | 1% |
| Ásia | 7% | — |
| Global | 17% | 4% |

E 72% dos produtores no mundo esperam que a IA generativa tenha algum impacto em suas operações nos próximos três a cinco anos.
Mas existe um paradoxo importante: apenas 6% dos produtores citam ferramentas de IA como fonte confiável para decidir uma compra.
Traduzindo: eles usam a máquina para pesquisar e confiam em gente para decidir.
O uso principal de IA está em planejamento, citado por 43% dos usuários, seguido de manejo da cultura, com 33%. Nas entrevistas, produtores relataram ceticismo quanto à capacidade da IA de dar recomendações agronômicas específicas para as condições locais deles, mas reconheceram utilidade para buscar informação, comparar produtos, resolver dúvidas do dia a dia e formular perguntas melhores para o agrônomo.

O alerta sobre corte de adubo
Um dado que conecta diretamente com um risco produtivo sério.
Pela primeira vez na história da pesquisa, mais de 35% dos produtores dizem que cortariam gastos com nutrientes primeiro quando a margem aperta. O fertilizante é simultaneamente a categoria mais cortada na crise e a primeira a ser restaurada na retomada.
O relatório faz o alerta: embora isso preserve caixa no curto prazo, subadubar pode reduzir o potencial produtivo lá na frente.
A resposta para margem apertada não é aplicar menos adubo. É aplicar o adubo certo no lugar certo. Escrevemos um artigo específico sobre isso aqui no blog, tratando de aplicação em taxa fixa e variável.

Quais tecnologias mais crescem
Entre as categorias pesquisadas, a adoção se concentra no que se encaixa nas decisões recorrentes da fazenda:
| Tecnologia | Adoção 2026 | Variação desde 2024 |

| Agronomia digital | 31% | −1 ponto |
| Hardware de agricultura de precisão | 27% | +3 pontos |
| Sensoriamento remoto | 26% | +6 pontos |
| Software de gestão da fazenda | 24% | +5 pontos |
| Software de sustentabilidade | 7% | +1 ponto |
| Automação e robótica | 5% | +3 pontos |

O maior crescimento veio de sensoriamento remoto e software de gestão. Tecnologias mais intensivas em capital, como robótica, seguem com adoção baixa.

Perguntas frequentes

O que é o Global Farmer Insights 2026?
Uma pesquisa bienal da McKinsey & Company com 5.500 produtores rurais em dez países, publicada em 8 de setembro de 2026. É a quarta edição do estudo.

Quanto caiu a adoção de tecnologia agrícola no Brasil?
Três pontos percentuais desde 2024, enquanto a média global subiu quatro pontos e chegou a 50% dos produtores.

Qual é o maior risco à lucratividade segundo os produtores da América Latina?
Eventos climáticos extremos, citados por 58% dos produtores da região. Custo de insumos vem em segundo, com 42%.

Quem mais influencia a decisão de compra do produtor brasileiro?
O agrônomo técnico. Na América Latina, 88% dos produtores o citam como principal influenciador, o maior índice do mundo.

A influência do vendedor está caindo?
Sim. Pela primeira vez na pesquisa, a influência do representante comercial caiu de forma significativa, de 67% para 56% globalmente.

Os produtores usam inteligência artificial?
Sim, e a América Latina lidera: 26% usam IA generativa e 7% pagam por ferramentas, contra 17% e 4% da média global. Mas apenas 6% confiam na IA para tomar decisão de compra.

Por que o produtor corta fertilizante primeiro?
Porque é a categoria com maior desembolso imediato e retorno percebido incerto no curto prazo. O relatório alerta que essa escolha pode reduzir o potencial produtivo nas safras seguintes.

O que a Agrosure enxerga nesses números
Esse relatório confirma com dado global o que sentimos no campo todos os dias.
O gargalo da tecnologia agrícola no Brasil não é a máquina. É a distância entre o que a tecnologia pode fazer e o que o produtor consegue extrair dela na realidade da propriedade dele.
O produtor brasileiro é o que mais valoriza orientação técnica no mundo. Isso não é uma fraqueza nossa. É uma característica do nosso mercado, e ela aponta exatamente onde está a oportunidade: quem chegar com diagnóstico, contexto local e acompanhamento vai destravar a adoção que o país deixou de fazer nos últimos dois anos.
Na Agrosure, é esse o trabalho. Entender a realidade da sua operação, avaliar junto o que faz sentido e acompanhar até o resultado aparecer.

Quer conversar sobre o potencial da sua área? Fale com a Agrosure.

*Fonte: McKinsey & Company, Global Farmer Insights 2026, publicado em 8 de setembro de 2026. Pesquisa realizada com 5.500 produtores em dez países entre abril e julho de 2026. Relatório completo disponível no site da McKinsey: https://www.mckinsey.com/industries/agriculture/our-insights/global-farmer-insights*

*Conteúdo produzido pela Agrosure, especialista em soluções de agricultura de precisão.

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